Carta

Blason   Abadia de São José de ​​Clairval

F-21150 Flavigny-sur-Ozerain

France


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3 Setembro 2021
festa de S. Gregório Magno


Caro amigo da Abadia de São José

Muitos cristãos desiludidos consideram que no início do terceiro milénio não é possível que um jovem siga o caminho da santidade durante a adolescência, a menos que se isole numa “bolha” impermeável ao tempo e ao meio ambiente. Carlos Acutis, um jovem italiano que morreu em 2006, com a idade de quinze anos, a quem o Papa Francisco elogia na Exortação apostólica Christus vivit (25 de Março de 2019), demonstra o contrário. Esse jovem, cheio de entusiasmo e de excepcional talento, sobretudo para a informática, via a Eucaristia como a sua «auto-estrada para o Céu».

Carlos nasce em Londres a 3 de Maio de 1991, de Andrea e Antónia Acutis, jovem casal italiano que então trabalhava em Inglaterra. Os pais não são praticantes; no entanto, o menino é baptizado logo a 15 de Maio, e será educado na religião católica. Carlo observa com grande interesse tudo o que o rodeia; esta capacidade de observação, além de ir ao fundo nas suas reflexões, será uma das suas principais qualidades. Sobre o Baptismo dirá: «É algo muito importante, porque permite que as almas se salvem graças à sua inserção na vida divina. As pessoas que participam num Baptismo dispersam-se muito frequentemente com as amêndoas, os caramelos ou com o vestido branco, que fazem parte da festa, mas não se preocupam por compreender o sentido desse grande dom que Deus faz à humanidade». Esse dom é a possibilidade de tornar-se filho de Deus (Jo. 1, 12) e herdeiros do Seu Reino Eterno (Ro. 8, 17).

« O Senhor não ficaria contente»

Afamília Acutis regressa a Milão em Setembro de 1991. Carlos tem um temperamento muito social e pacífico ; à ama polaca, que o aconselha a ser mais combativo com os meninos agressivos, responde : « O Senhor não ficaria contente se reagisse com violência ». O período estival é passado à beira-mar, em Centola, perto de Salerno. O pequeno é facilmente adoptado pela população desse lugar tranquilo, fazendo amizade com todos. Reza com fervor o terço e vai à Missa todos os dias após ter feito a primeira Comunhão, com a idade de sete anos. O seu recolhimento quando comunga impressiona os que o cercam.

Em Milão, Carlos faz a escolaridade no Instituto Tomasseo, das Irmãs Marcelinas. Permanece fiel à Missa diária e fá-lo sempre na companhia de um adulto. Pelo caminho, o rapaz detém-se a conversar um pouco com os porteiros, geralmente estrangeiros, que não estão habituados a semelhante atitude por parte dos habitantes da metrópole lombarda. O seu tacto permite-lhe posicionar-se ao nível dos seus interlocutores, independentemente do meio social a que pertençam. Demonstra grande respeito para com os pobres, os débeis e abandonados, e considera que ter um estatuto social elevado ou riqueza material obriga a quem os possui a ajudar os menos favorecidos. Um desempregado que pedia esmola à entrada de uma igreja recorda a caridade de Carlos, que todos os dias lhe dava uma moeda e lhe falava com amabilidade. Esse homem falou-lhe de uma amiga, indigente, que enfraquecia de depressão e miséria. Carlos e a mãe conseguiram que ela ingressasse num hospital. «Ele era demasiado bom e demasiado puro para este mundo» —concluiu aquele bom homem.

Carlos não é um santo de prateleira. Gosta muito dos animais, em especial gatos e cães (os pais têm vários), a quem filma em vídeos cómicos. Gosta de jogar futebol, aprende a tocar saxofone como autodidacta e, sobretudo, apaixona-se pela informática. Mas, esses centros de interesse nunca são um fim em si mesmos. Para ele, fazer frutificar os talentos recebidos de Deus é uma maneira de O glorificar e de procurar o bem do próximo; além disso, a sua modéstia e inteligência caminham a par. Carlos nunca guarda só para si o que aprende, mas apressa-se a compartilhá-lo com os demais. Nunca se vangloria do que tem, ou do que sabe. A tirania da moda (usar roupa de marca, em consonância com a tendência do momento) deixa-o indiferente; considera essas modas como produto de especulações comerciais e, por sua vez, veste-se com simplicidade e sem afectação. Na escola, estabelece fortes laços de amizade, mas nem sempre é compreendido. Alguns perguntam, por exemplo, por que motivo passa sempre as férias em Assis, quando os meios económicos dos pais lhe permitiriam desfrutar de viagens a países longínquos e lugares mais na moda. Pouco antes de morrer, Carlos confessará ao director espiritual: «  Assis é o lugar onde me sinto mais feliz!».

As numerosas amizades do adolescente, tanto masculinas como femininas, mantêm-se nos termos de uma castidade sem compromisso. Não aceita familiaridades entre jovens de diferente sexo, nem as coabitações prematrimoniais. Uma jovem dará testemunho da sua fidelidade à Igreja e aos seus ensinamentos, nomeadamente em matéria de sexualidade e moral familiar. Num debate sobre o aborto, durante uma aula de religião Carlos defende a vida humana demostrando que o embrião é um ser humano desde a concepção e que a sua eliminação é um homicídio.

Feliz e autêntico

A os catorze anos, Carlos matricula-se no liceu do Instituto Leão XIII de Milão, dirigido pelos Jesuítas. Voluntaria-se para actualizar a página da internet da instituição, tarefa a que dedica todo o verão de 2006. Encarrega-se igualmente de preparar um grupo de crianças para o sacramento da Confirmação. Nas aulas, presta especial atenção aos colegas que sentem dificuldades em seguir o ritmo dos estudos, dando a alguns explicações particulares de matemática. Um padre jesuíta, próximo de Carlos durante esses anos, resume a impressão que dele conserva. « Estou convicto de que ele era como a levedura na massa, ou melhor ainda como o grão de trigo metido na terra ; em silêncio, mas fazia crescer… Dele, podia dizer-se : eis aqui um jovem cristão feliz e autêntico ».

Carlos passa longas horas a criar programas informáticos para responder às necessidades dos amigos. Sempre disponível para os iniciar nos mistérios da informática pois considera que, na actualidade, é indispensável que um jovem saiba utilizar correctamente um computador. Um profissional de programação dá este testemunho : «Fiquei admirado com a sua competência no domínio da programação ; aos quinze anos, tinha o mesmo nível que eu, que publiquei vários livros sobre a temática e que são utilizados nas universidades e nas empresas…, era extraordinariamente intuitivo ». Antes dos exames, Carlos oferece ajuda a todos os amigos para que façam uma boa utilização dos computadores. Mas apresenta-se um exemplo vivo, uma espécie de bússola que a todos ensina a maneira de evitar os excessos, quer dizer, as derivas perniciosas que podem resultar da multiplicidade das possíveis conexões que há na “rede”. A primeira deriva é deixar-se arrastar num mundo virtual, à custa do mundo real onde Deus está presente e nos dá uma tarefa a cumprir sob o seu olhar. Então, a voz da consciência debilita-se e as incitações à transgressão tornam-se tão sedutoras que também elas aparecem como virtuais.

Umas fotocopias

Na‌exortação apostólica Christus vivit, o Papa Francisco dirige-se aos jovens deste modo : « O mundo digital pode expôr-te ao risco do ensimesmamento, do isolamento ou do prazer vazio. Mas não esqueças que também há jovens que são criativos, e por vezes geniais, neste meio. É o caso do venerável jovem Carlos Acutis. Sabia muito bem que os mecanismos da comunicação, da publicidade e das redes sociais podem ser utilizados para fazer de nós, seres adormecidos, dependentes do consumo e das novidades que podemos comprar, obcecados pelo tempo livre e prisioneiros da negatividade. Mas, ele foi capaz de usar as novas técnicas de comunicação para transmitir o Evangelho, para comunicar valores e beleza. Não caiu na armadilha. Via que muitos jovens, embora pareçam diferentes, na realidade acabam sendo mais do mesmo, correndo atrás do que lhes impõem os poderosos através dos mecanismos de consumo e embrutecimento. É deste modo que não deixam surgir os dons que o Senhor lhes deu; não oferecem a este mundo os talentos tão pessoais e únicos que Deus semeou em cada um. Assim, dizia Carlos, ocorre que “todos os homens nascem originais, mas muitos morrem como fotocópias. Não permitas que isso te ocorra ” (núm. 104-106).

Carlos Acutis tem sempre presente os quatro « fins últimos » : morte, juízo final, inferno e paraíso, realidades últimas da vida de todo o homem. O seu interesse por estes temas faz que, por vezes, mesmo os seus amigos, o tratem de exagerado ou papa-hóstias. Conheceu sacerdotes que não acreditavam na existência do inferno, nem tão-pouco do purgatório, o que o escandalizava. Mas, para ele, este ponto da doutrina católica ensinado uma infinidade de vezes por Jesus cristo e pelo Magistério da Igreja, está fora de toda a dúvida : « Se realmente as almas correm o risco de se condenarem, como efectivamente o testemunharam tantos Santos e como o confirmaram as aparições de Fátima, pergunto por que razão na actualidade quase não se fala do inferno, porque é algo tão terrível e espantoso que me assusta só em pensar nisso… a única coisa que devemos realmente temer é o pecado ». Com efeito, pois « Aos olhos da fé, não existe mal mais grave do que o pecado; nada tem piores consequências para os próprios pecadores, para a Igreja e para todo o mundo» (Catecismo da Igreja Católica, núm. 1488).

Carlos não se esquece das almas do purgatório ; está convencido de que a ajuda mais eficaz que podemos dar aos defuntos é assistir à Missa pela sua intenção e para as livrar do purgatório. O Papa e a Igreja são preciosos ao seu coração. No decurso de uma visita ao Vaticano, em 2000, ficou impressionado com a consagração à Virgem feita pelo Papa São João Paulo II em união com os bispos do mundo inteiro. Carlos reza para que todos os povos da terra conheçam e amem Jesus Cristo. Ao ver na televisão o encontro inter-religioso de Assis em 2002 comenta : « Seguramente que o Papa foi inspirado por Deus, pois, mediante este encontro, todos têm a possibilidade de conhecer e amar a Cristo, único Salvador do mundo e de quem depende a salvação de todos ».

Pessoas completas

O jovem estabelece amizade com Rajesh, um empregado doméstico da família, de religião hinduísta e de casta brâmane. Esforça-se por evangelizá-lo e fica deslumbrado pelo seu conhecimento do Catecismo da Igreja Católica, que conhece quase de memória e explica de maneira brilhante. Rajesh acabará por pedir o Baptismo e esperará com ansiedade o dia em que irá receber o Corpo e o Sangue de Cristo, esse sacramento de que Carlos lhe tinha falado com ardor : « As virtudes —dizia-lhe o adolescente—adquirem-se principalmente mediante uma vida sacramental intensa, e a Eucaristia é certamente o topo; através deste sacramento, o Senhor transforma-nos em pessoas completas, feitas à Sua imagem e semelhança ». Carlos prepara também Rajesh para a Confirmação, confiando-lhe que, com este sacramento, recebeu uma força misteriosa que se traduz principalmente num aumento da sua devoção eucarística ; no dia da sua Confirmação, o amigo sente a mesma força ao receber o Espírito Santo.

Carlos passa a maior parte das férias em Assis, numa propriedade da família. Os exemplos de São Francisco tornam-se-lhe familiares, especialmente a sua humildade. Compreende que a humildade, virtude directamente oposta ao orgulho inato que herdámos devido à nossa filiação adâmica, é o caminho régio para a verdadeira santidade. Aprecia especialmente o Santuário do Monte Alverne, onde São Francisco recebeu os estigmas e onde morreu em 1224, configurado de forma extraordinária à Paixão de Cristo ; é lá onde Carlos aprofunda, no decurso de diversos retiros espirituais, o mistério da Missa, sacrifício perfeito que torna presente, de maneira incruenta, o sacrifício sangrento do Calvário.

A vida espiritual de Carlos Acutis centra-se na Missa diária. As raras ocasiões em que não pôde participar, por causa de um impedimento escolar, recolhe-se e faz uma “comunhão espiritual”. « A Eucaristia é a minha auto-estrada para o Céu !» — repete com frequência. A vida apresenta-se-lhe como uma Missa unida ao sacrifício redentor de Cristo. « As almas santificam-se muito eficazmente graças aos frutos da Eucaristia diária — afirma — e, desse modo, não arriscam encontrar os perigos que colocariam em questão a salvação eterna ». Carlos é muito sensível à atitude mais ou menos recolhida e fervorosa com que os sacerdotes celebram a Santa Missa. Antes ou depois da Missa dedica algum tempo à adoração. Sabe que a Igreja concede indulgência plenária pela adoração do Santíssimo Sacramento durante meia-hora, e aplica amiúde esse benefício espiritual às almas « mais abandonadas » do purgatório. Torna-se no apóstolo da participação na Missa dominical junto de pessoas que abandonaram essa prática religiosa e vários dos seus amigos a retomaram, alguns após a sua morte.

Uma página da internet

Carlos apaixona-se pelos milagres eucarísticos que se multiplicaram no decurso dos séculos, e utiliza os seus conhecimentos para criar um sítio da internet (www.miracolieucaristici.org  ; Sítio electrónico, que ainda existe, está traduzido para numerosas línguas), dedicado a esses milagres. Emociona-se especialmente com o milagre de Lanciano, uma povoação da região de Abruzos, onde se venera desde o ano de 750 uma hóstia milagrosa que, no momento em que o sacerdote pronunciava as palavras da consagração se transformou em carne e sangue; analizada en 1970 por especialistas, demonstrou-se que a carne era um tecido de miocárdio (coração) ; o sangue, que parecia fresco, pertence ao grupo AB. Este surpreendente facto científico é um reforço para Carlos na sua devoção especial ao Sagrado Coração de Jesus, que merece ser adorado « como símbolo natural e muito expressivo deste amor inesgotável que o Divino Redentor não cessa de sentir ainda para com o género humano » (Papa Pio XII, Haurietis aquas, núm. 42). Carlos conseguirá que seus pais, sob a sua influência, retomem a prática religiosa e que a família Acutis se consagre ao Sagrado Coração. Oferece comunhões e sacrifícios « para reparar as ofensas que Jesus recebe no sacramento do Seu Amor », conforme Ele mesmo pediu a Santa Margarida Maria (Paray-le-Monial, 1675).

No decurso desses momentos de adoração ao Santíssimo Sacramento, Carlos medita sobre os mistérios da vida de Cristo, especialmente os da Sua infância. Fica especialmente impressionado com a pobreza escolhida pelo Filho único de Deus na Sua Encarnação e no Seu nascimento no estábulo de Belém. Pouco antes de morrer confidenciaria ao seu director espiritual que a prática assídua da adoração eucarística o ajudara muito a progredir na oração ; a partir de então, distraía-se menos e o seu amor por Jesus cresceu muito. Para corrigir os defeitos (gulodice, preguiça, propensão para a tagarelice, distrações durante a oração do rosário…), o jovem recorre semanalmente ao sacramento da Penitência e da Reconciliação. « Para levantar voo para as alturas —diz— o balão necessita de soltar lastre, como a alma, a qual, para se elevar para o Céu, necessita de largar inclusive os pesos mais leves que são os pecados veniais…Fazei como eu e vereis os resultados ! ».

Desde tenra idade, Carlos sente respeito e afecto pelas monjas de clausura. Fez a primeira Comunhão na igreja das Irmãs Eremitas de Santo Ambrósio, em Perego; e também conheceu monjas de outros conventos. Na adolescência, atribuirá à intercessão das religiosas a graça de vencer as tentações contra a castidade e de possuir a virtude da temperança (álcool, drogas), que são a causa de tantos pecados e danos entre os jovens da sua idade. Ao recordar-se de que a família deve ser « como um santuário doméstico da Igreja » (Vaticano II, Apostolicam actuositatem, núm. 11), aconselha os pais a que rezem com os filhos para que obtenham a perseverança no estado de graça durante a adolescência. A sua devoção mariana concretiza-se numa especial afeição pelo Santuário da Virgem de Pompeia, perto de Nápoles, onde se consagra várias vezes à Virgem do Rosário. Nesse mesmo lugar, obtém de Maria a graça da conversão de uma mulher que não frequentava os sacramentos há trinta anos. Carlos dirige-se também a Lourdes e a Fátima, lugares de aparições marianas que têm muita influência na sua espiritualidade.

Direito ao Céu

«O meu filho levava uma vida completamente normal — afirma o pai de Carlos —, mas tinha sempre presente na mente o facto de que todos, um dia, morreremos. Quando se referia, na sua presença, um projecto para o futuro, respondia : “Sim, se ainda estivermos vivos amanhã ou depois de amanhã, pois somente Deus conhece o futuro” ». No início de Outubro de 2006, Carlos, com a idade de quinze anos e meio, adoece. Os sintomas levam a pensar que se trata de umas simples anginas; pelo que nem os pais nem o médico se preocupam. O jovem, todavia, como que por intuição, diz aos pais : « Ofereço ao Senhor, pelo Papa e pela Igreja, todos os sofrimentos que terei de suportar, e também para ir direito para o Céu sem passar pelo purgatório ». No domingo seguinte, encontra-se extremamente debilitado e levam-no imediatamente a uma clínica. As análises revelam a terrível realidade : leucemia aguda M3, uma das formas mais agressivas de cancro no sangue. Quando os pais o informam da gravidade da doença, o jovem exclama serenamente : « O Senhor acorda-me ! ». Ao comprovar-se que a assistência respiratória é pouco eficaz, Carlos é transferido para o hospital especializado de Monza. Sente-se feliz por a mãe e a avó poderem dormir no seu quarto. Um sacerdote administra-lhe os sacramentos. O seu estado de saúde agrava-se rapidamente, ocasionando-lhe grandes sofrimentos. A paciência do jovem causa admiração entre o pessoal médico e de enfermagem; quando lhe perguntam como se sente, responde sorrindo : « Bem, como sempre », ou « Poderia ser pior ».

Após entrar em coma, Carlos é vítima, a 11 de Outubro, de uma hemorragia que resulta na morte cerebral. Não obstante, permanece ligado ao ventilador até que o coração pare por si mesmo, na manhã do dia 12. O corpo de Carlos foi levado para casa, e colocado no seu quarto. Nos quatro dias seguintes assistiu-se a um contínuo desfile diante dos seus restos mortais. Uma imensa multidão assiste às exéquias, e muitos foram os que tiveram de permanecer no exterior da igreja por falta de espaço no seu interior. No momento do Ite Missa est, os sinos começaram a tocar. É meio-dia, a hora do Angelus… Muitos dos presentes vêem nessa coincidência o sinal da entrada de Carlos na glória celestial.

Em Junho de 2018, tendo em conta o processo de beatificação, o corpo de Carlos, enterrado em Assis segundo o seu desejo, foi exumado e encontrado intacto. Em Abril de 2019, foi transladado para o Santuário Franciscano da Spogliazione. A 21 de Fevereiro de 2020, é oficialmente reconhecido um milagre atribuído à sua intercessão: a cura humanamente inexplicável, em 2010, de um menino brasileiro que apresentava uma má-formação grave e fatal do pâncreas. A família da criança tinha invocado Carlos. A beatificação deste servo de Deus celebrou-se em Assis a 10 de Outubro de 2020.

« O objectivo da minha vida - afirmava Carlos Acutis- é estar unido a Jesus… O que nos fará realmente belos aos olhos de Deus, será a maneira como O amamos a Ele e amamos os nossos irmãos ». Peçamos a este jovem beato que mantenha em nossos corações, por sua intercessão, este fogo sagrado que Jesus veio acender sobre a terra.


Dom Antoine Marie osb