Carta

Blason   Abadia de São José de ​​Clairval

F-21150 Flavigny-sur-Ozerain

France


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22 Maro 2017
Carta de Quaresma 2017


Caro amigo da Abadia de São José

Em 1985, o Cardeal Joseph Ratzinger, então prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, foi questionado pelo jornalista italiano Vittorio Messori, sobre a terceira parte do “segredo de Fátima”, que ainda não tinha sido divulgada. Perante a agitação do jornalista acerca dos “terríveis” acontecimentos que, supostamente, o segredo previa, o futuro Papa respondeu : “mesmo que seja assim, isso apenas confirmaria a parte já conhecida da mensagem de Fátima. Pois, aí é feita uma severa advertência, que esbarra com a superficialidade dominante, um esclarecimento sobre a seriedade da vida, da história e dos perigos que ameaçam a humanidade. É o mesmo que, muitas vezes, Jesus nos diz claramente : “se não vos converterdes, perecereis todos igualmente” (Lc 13 :3). A conversão – Fátima recorda-o – é uma exigência da vida cristã“ (Informe sobre la fe, Biblioteca de Autores Cristianos, 1986).

Essa chamada à conversão, embora exigente, é obra do coração infinitamente amoroso de Nosso Senhor. Na sua mensagem maternal, a Virgem Santíssima veio mais uma vez recordar-nos a necessidade da conversão. Durante as sucessivas aparições em Fátima, a Virgem Maria, modelo ímpar de sabedoria e bondade, manifesta a sua pedagogia sobrenatural. Na primeira aparição, em 13 de Maio de 1917, instrui os três pastorinhos de acordo com os desígnios do céu : Maria, de extraordinária beleza, cercada de luz, vestida de branco e com um véu até os pés, apresenta-se a Lúcia, a mais velha dos três videntes ; esta pergunta-lhe : “De onde é vocemecê ? – Venho do céu. – E que quereis de nós ? – Venho pedir-vos que vos apresenteis neste lugar cinco vezes seguidas, à mesma hora, no dia 13 de cada mês. Depois vos direi quem sou e o que quero de vós. – Vocemecê vem do céu ! “eu, irei para o céu ? – Sim, irás. – E a Jacinta ? – Também. – E o Francisco ? – Também irá, mas tem de rezar o rosário”.

O céu é o objectivo da nossa existência. “Deus, infinitamente perfeito e bem-aventurado em Si mesmo, num desígnio de pura bondade, criou livremente o homem para o tornar partícipe da sua bem-aventurança” (Catecismo da Igreja Católica, CEC, 1). Os que morrem na graça e na amizade de Deus e estão plenamente purificados vão para o céu, onde serão “semelhantes a Deus, porque O verão tal como Ele é” (cf.1 Jo 3 :2), “face a face” (cf. 1 Cor. 13 :12). “Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus” (Mt 5, 8). Esta vida de perfeita comunhão e amor com a Santíssima Trindade, com a Virgem Maria, os anjos e os santos, além de ser fruto do dom gratuito de Deus, é a realização da mais profunda aspiração do homem, o estado de felicidade suprema e definitiva. Porque Deus, na verdade, depositou no coração do homem o desejo de felicidade, a fim de o atrair para Si. A esperança do céu diz-nos que a verdadeira felicidade não reside nem na riqueza ou no bem-estar, nem na glória humana ou no poder, ou em qualquer trabalho humano, por útil que seja, como as ciências, as técnicas e as artes, ou em qualquer criatura, mas só em Deus, fonte de todo o bem e de todo o amor (cf. CEC, 1723). “Só em Deus somos plenamente felizes”, diz São Tomás de Aquino.

Sim, queremos !”

Depois de tranquilizar as crianças com a inestimável promessa do céu, a Senhora introdu-los no mistério da redenção, perguntando-lhes se querem associar-se a ele : “Quereis oferecer-vos a Deus, fazer sacrifícios e aceitar todos os sofrimentos que Ele vos enviar, em reparação dos pecados que ofendem a Sua Divina Majestade ?” Quereis sofrer pela conversão dos pecadores, para reparar as blasfémias, bem como todas as outras ofensas dirigidas ao Coração Imaculado de Maria ? – Sim, queremos ! – responde Lúcia”. – Sofrereis muito, mas a graça de Deus assistir-vos-á e apoiar-vos-á sempre”. Enquanto pronuncia estas palavras, a aparição abre as mãos e com esse gesto derrama sobre os videntes um raio de luz que penetra nas suas almas, e faz com que eles mesmos se vejam em Deus.

No dia 13 do mês de Julho, a Virgem revela às crianças uma realidade aterradora : “Nossa Senhora mostrou-nos um grande mar de fogo que parecia estar debaixo da terra e onde estavam imersos nesse fogo, os demónios e as almas, como se fossem brasas transparentes, negras ou queimadas, com forma humana. Estavam flutuando nesse incêndio, levantadas pelas chamas que saíam delas mesmas, entre nuvens de fumo. Caíam de todos os lados, como caem as faúlhas nos incêndios, sem peso nem equilíbrio, entre gritos e gemidos de dor e desespero que causavam horror e faziam tremer de medo. Os demónios distinguiam-se pelas formas horrendas e repugnantes de animais assustadores e desconhecidos, mas transparentes e negros. Essa visão só durou um instante, graças à nossa Mãe do Céu, que nos tinha prevenido e prometido que nos levaria para o céu. Caso contrário, penso que teríamos morrido de espanto e medo. De seguida, levantámos a vista para Nossa Senhora, que nos disse com bondade e tristeza : “vistes o inferno onde vão parar as almas dos pobres pecadores. Para as salvar, Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Coração Imaculado. Se fizerdes isto, muitas almas se salvarão e haverá paz”.

Uma prova mais

A existência do inferno suscita discussões. A irmã Lúcia escreveu o seguinte, alguns anos antes da sua morte, em 13 de Fevereiro de 2005 : “No mundo, existem os incrédulos que negam essas verdades, mas não é pelo facto de serem negadas que deixam de existir ; e essa incredulidade não os livrará dos tormentos do inferno, se a sua vida de pecado aí os conduzir. Em Fátima, (Deus) enviou-nos a sua mensagem como mais uma prova daquelas verdades. Esta mensagem é um alerta para que não nos deixemos enganar por falsas doutrinas de incrédulos que as negam e de extraviados que as deformam. Seguindo este propósito, a mensagem assegura-nos que o inferno é uma realidade e que lá vão parar as almas dos pobres pecadores “(Apelos da mensagem de Fátima, Editorial Planeta, 2003).

Durante a sua vida pública, Jesus nosso Salvador, várias vezes falou da existência do inferno, Geena, ou fogo que não se apaga (cf. Mc 9, 43-48), reservado a quem não se quer converter até ao fim da sua vida e onde pode perecer o corpo e a alma (cf. Mt 10 :28). É desta forma que o Catecismo da Igreja Católica (n. 395) nos lembra que “o pecado mortal destrói a caridade, priva da graça santificante e conduz à morte eterna do inferno, se não houver arrependimento”. O magistério da Igreja muitas vezes se expressou sobre esta matéria ; o Papa Pio XII realçou em 23 de Março de 1949 : “a pregação das principais verdades da fé e dos últimos fins do homem, não só não perdeu validade no presente, como se tornou mais do que nunca necessária e urgente, inclusive a pregação sobre o inferno. É importante que este assunto seja tratado com dignidade e sabedoria, mas em relação à sua substância, a Igreja tem, diante de Deus e dos homens, o sagrado dever de proclamar a sua verdade e ensiná-la, sem lenitivos, tal como Cristo a revelou, e não há nenhuma circunstância secular que possa diminuir a gravidade dessa missão. Obriga em consciência a todos os sacerdotes, pois, quer seja no ministério ordinário ou extraordinário, foi-lhes confiado instruir, advertir e guiar os fiéis. “Embora seja verdade que o desejo do céu é, em si, um motivo mais perfeito do que o temor das penas eternas, não se pode deduzir que daí resulte ser o meio mais eficaz para afastar os homens do pecado e convertê-los a Deus”.

A preocupação de uma mãe

Assim, não nos deve causar estranheza a intervenção da Virgem aos pastorinhos de Fátima. Como boa mãe que se preocupa connosco, faz avisos para a nossa salvação eterna e para a nossa conversão. Em 13 de Outubro de 1917, disse aos videntes : “Os homens devem corrigir-se, pedir perdão pelos seus pecados ; devem deixar de ofender a Deus nosso Senhor, que já está muito ofendido”. Desde então, era difícil aos pastorinhos conterem as lágrimas perante a lembrança da tristeza expressa no rosto da Virgem. Lúcia comentará assim essas palavras de Nossa Senhora : “Como é amoroso o lamento e a súplica que tais palavras contêm ! Ah ! Como gostaria que ressoassem no mundo inteiro e que os filhos da Mãe Celeste escutassem a sua voz !”

A mensagem de Fátima é, na essência, a do Evangelho. Desde o início da sua vida pública, Nosso Senhor proclamou : “O Reino de Deus está próximo ; arrependei-vos e acreditai na Boa Nova” (Mc 1, 15). Esta chamada de atenção está constantemente presente no centro da pregação da Igreja. São Bento expõe-na no prólogo da sua regra : “Escuta, meu filho, estes preceitos de um mestre, inclina o ouvido do teu coração, acolhe com alegria esta exortação de um pai bondoso e põe-na em prática, para que pela tua obediência laboriosa voltes para Deus, do qual te tinhas afastado devido à tua indolente desobediência”. Para isso nos são concedidos, como trégua, os dias da nossa vida, para que nos purifiquemos dos nossos pecados, como alerta o Apóstolo : “Não estarás a desprezar as riquezas da sua bondade, paciência e generosidade, ao ignorares que a bondade de Deus te convida à conversão ?” (Rom 2, 4). Com efeito, o Senhor diz-nos com Sua inesgotável bondade : “Não quero a morte do pecador, mas que mude de conduta e viva” (Ez18,23)

Converter-se, mudar de vida, significa voltar o rosto para Deus, manifestar arrependimento por O termos ofendido. Particularmente impressionado pela tristeza de Nossa Senhora, quando pede que cessemos de ofender a seu Filho, Francisco sente o desejo de consolá-Lo, começando por evitar todo o pecado. “Amo tanto a Nosso Senhor ! Mas está tão triste por causa de todos os nossos pecados ! Não e não, não cometerei pecado algum !”. Por isso, as três crianças estão dispostas a enfrentar a perseguição e a morte, a ter que dizer uma mentira para se livrarem das contradições. No entanto, a mudança de vida significa, além da confissão sacramental para receber o perdão dos pecados, a mortificação do coração e dos sentidos para reparar os pecados anteriores e participar na Paixão de Cristo. É um facto notável que as aparições acenderam no coração dos três videntes o zelo ardente de partilhar os sofrimentos de Cristo. Por exemplo, decidiram entregar as merendas diárias às crianças mais pobres, contentando-se com o que pudessem encontrar na natureza. Um dia, a mãe de uma das crianças chamou-os para que comessem figos de uma variedade suculenta. Jacinta senta-se ao lado da cesta, deleitando-se só em pensar comer fruta tão apetitosa, mas depois de pegar num, de repente muda de intenção : “Hoje, ainda não fizemos qualquer sacrifício pelos pecadores, então façamos este”, e coloca novamente o figo na cesta.

Quando a graça de Deus penetra numa alma, esta não se contenta em fazer penitência pelos seus próprios pecados, mas também quer sacrificar-se pelos outros. Assim, durante a longa e penosa enfermidade que lhe tirará a vida em 20 de Fevereiro de 1920, Jacinta ganha coragem graças à constatação de que os seus sofrimentos, unidos ao do seu Salvador, obterão a conversão de pecadores e lhes evitarão a condenação eterna. Aquela menina, delicada e traquina por natureza, transformou-se numa pessoa forte e paciente no sofrimento. Pouco antes de morrer, disse à Irmã Purificação Maria Godinho, que cuidou dela : “a mortificação e o sacrifício agradam muito a Nosso Senhor. Ah ! Evite o luxo. Evite as riquezas. Estime a santa pobreza. Seja muito caridosa, mesmo com as pessoas más. Nunca fale mal de ninguém e afaste-se dos que falam mal dos outros. Seja muito paciente, porque a paciência conduz ao céu. Reze muito pelos pecadores ! Reze muito pelos sacerdotes, religiosos e governantes. Os sacerdotes devem ocupar-se unicamente dos assuntos da Igreja. Devem ser puros, muito puros. A desobediência dos sacerdotes e dos religiosos aos superiores e ao Santo Padre ofende muito a Nosso Senhor”.

A penitência que Deus espera

Quais são os sacrifícios mais agradáveis a Deus ? Alguns meses antes da primeira aparição de Nossa Senhora, as crianças receberam a visita de um anjo, que lhes disse o seguinte : “Sobretudo, aceitai e suportai os sofrimentos que o Senhor vos enviar”. Muitos anos mais tarde, em 1943, a irmã Lúcia escreve : “Nosso Senhor deseja ardentemente a paz, mas está triste por ver apenas um pequeno número de almas em estado de graça e disposto a sacrificar-se para que por esse meio muitos possam aderir à fé. “E o que Deus exige agora é precisamente a penitência, o sacrifício que cada um deve impor-se para poder levar uma vida justa em conformidade com a Sua lei. Como mortificação, pede simplesmente o recto cumprimento das tarefas quotidianas, bem como a aceitação dos sofrimentos e preocupações ; e quer que ensinemos claramente este caminho às almas, pois são muitos os que entendendo o sentido da palavra penitência como sinónimo de “grandes austeridades”, e não se sentindo com força nem com generosidade, desencorajam-se e caem numa vida de indiferença e pecado”. Nosso Senhor dirá também a Lúcia : “O sacrifício que se exige a cada um é cumprir o seu próprio dever e observar a minha lei ; o que agora peço e exijo é penitência “.

A recomendação do rosário está, igualmente, no centro das aparições de Fátima, e a Virgem Maria fala dele em diversas ocasiões. Em 1917, o mundo continua imerso nos horrores da primeira guerra mundial sem que ninguém vislumbre uma saída. Na terceira aparição, em 13 de Julho, Nossa Senhora insiste : “Devemos rezar o rosário diariamente, em honra da Virgem, para, que por sua intercessão acabe a guerra. Só ela pode vir em nosso auxílio”. Em 13 de Outubro, ela diz aos pastorinhos que é a “Nossa Senhora do Rosário”. E nesta oração tradicional, pede para que no final de cada dezena se acrescente a seguinte súplica : “Oh bom Jesus perdoai-nos e livrai-nos do fogo do inferno e levai as almas para o céu, especialmente as que mais precisarem”. Na verdade, o auxílio da graça de Deus estende-se o mais longe possível, de tal forma que ninguém é excluído da vontade salvífica de Deus nem por conseguinte da solicitude maternal de Maria, que nos recorda o papel primordial da oração na obra da salvação. Muitas vezes Jacinta repetia : “É necessário rezar muito para evitar que as almas vão para o inferno”.

Tomai nas mãos o rosário”

O rosário é uma das tradicionais formas de oração cristã orientada para a contemplação do rosto de Cristo. “A Igreja sempre viu nesta oração uma eficácia particular, confiando as causas mais difíceis à sua recitação comunitária e prática diária”. Nos momentos em que o cristianismo esteve ameaçado, a superação do perigo deveu-se à força desta oração e a Virgem do Rosário foi considerada propiciadora de salvação” (São João Paulo II, Rosarium Virginis Mariæ, 16 de Outubro de 2002, 18, 39). Assim pois, hoje, num momento em que o mundo, que rejeitou a Cristo, está mergulhado no abismo, com grande prejuízo para as almas, o recurso ao Santo Rosário é mais que do nunca necessário. Por conseguinte, sigamos a recomendação de João Paulo II : “A devoção do Rosário deve ser retomada e rezado em família. Uma família que reza unida permanece unida “Penso em todos vós, irmãos e irmãs de qualquer condição, em vós, doentes ou idosos, em vós jovens : tomai com confiança nas vossas mãos o Rosário ; que este meu apelo não seja em vão !” (ibid. 41, 43).

A mensagem de Fátima implica, também, a devoção ao Imaculado Coração de Maria. Em 13 de Junho de 1917, a Virgem mostrou às crianças o seu coração ferido com espinhos, dirigindo-se a Lúcia diz : “É necessário que permaneças na terra. Jesus quer servir-se de ti para que me conheçam e me amem ; quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Coração Imaculado. Prometo a salvação para aqueles que abracem esta devoção, e as suas almas serão amadas por Deus com amor predilecto, como flores colocadas por mim diante do seu trono”. Por ocasião de uma posterior aparição, que teve lugar em 10 de Dezembro de 1925, no convento de Pontevedra (Espanha) Nossa Senhora mostrou o seu coração à irmã Lúcia, enquanto tinha o menino Jesus a seu lado. Jesus diz : “Tem piedade do coração da tua mãe Santíssima, que está coberto de espinhos que os homens ingratos continuamente cravam, sem que ninguém realize um acto de reparação para os arrancar”. E Maria acrescentou : “Olha, minha filha, este meu coração cercado de espinhos que os homens ingratos continuamente cravam com as blasfémias e ingratidões. Ao menos tu, tenta consolar-me e comunica a todos os que, no primeiro sábado de cinco meses consecutivos, após se terem confessado e recebido a sagrada comunhão, rezem um terço e me façam companhia durante quinze minutos, meditando os mistérios do Rosário a fim de me pedir perdão, prometo auxiliá-los na hora da sua morte, com todas as graças necessárias para a salvação de suas almas “.

Poderíamos perguntar-nos quais são esses ultrajes que tanto sofrimento causam ao Coração Imaculado de Maria. Geralmente, são todos os pecados que ofendem a Deus. Entre eles há alguns que ofendem especialmente o coração de nossa Mãe do Céu : em primeiro lugar, as blasfémias contra os seus três grandes privilégios (Imaculada Conceição, Virgindade Perpétua e a Maternidade Divina) ; em seguida, os insultos contra as imagens que o representam e, finalmente, o crime daqueles que ensinam as crianças a desprezar, ridicularizar e até mesmo odiar a sua Mãe do Céu. Certamente, há que contar, entre os que ofendem especialmente o seu Coração Imaculado, as faltas contra a virtude da pureza. A propósito disto, Jacinta compartilhará com a irmã Maria da Purificação estas palavras de Nossa Senhora : “Os pecados que mais almas levam para o inferno são os pecados da impureza. Virão certas modas que ofenderão muito Nosso Senhor. As pessoas que servem a Deus não devem seguir essas modas”. A própria Jacinta, pouco antes de sua morte, também disse à Lúcia : “Permanecerás ainda aqui na terra para que os homens possam saber que o Senhor quer estabelecer no mundo a devoção ao Imaculado Coração de Maria. Recorda a toda a gente que Deus quer conceder-nos as suas graças através do Coração Imaculado de Maria e que é necessário pedi-las a esse Coração Imaculado. O coração de Jesus quer que o Coração Imaculado de Maria seja venerado junto do seu”.

A mensagem de Fátima continua actual. No terceiro milénio, o Papa João Paulo II, por ocasião da beatificação de Francisco e Jacinta, expressou-se da seguinte maneira : “A mensagem de Fátima é uma chamada à conversão ; apela à humanidade para que não siga o jogo do dragão, que com a cauda, varre a terça parte das estrelas do céu e lança-as na terra” (Ap 12 :4). O objectivo final do homem é o céu, a sua verdadeira casa, onde o pai celeste, no seu amor misericordioso, está à espera de todos vós. É vontade de Deus que ninguém seja condenado, por isso enviou, há dois mil anos, o seu Filho, para resgatar e salvar o que estava perdido (Lc 19, 10). Ele salvou-nos através da sua morte na Cruz. Que ninguém torne vã esta Cruz ! Jesus morreu e ressuscitou para ser o primogénito entre muitos irmãos (Rom 8 :29). No seu pedido materno, a bem-aventurada Virgem Maria surgiu aqui, em Fátima, para pedir aos homens para “deixarem de ofender a Deus Nosso Senhor, que já está muito ofendido”. A dor de uma mãe é o que a obriga a falar, porque o que está em jogo é o destino dos seus filhos. “Por isso pede às crianças : “rezai, rezai muito e fazei sacrifícios pelos pecadores, pois muitos são os que vão para o inferno porque não há quem reze nem se sacrifique por eles !” (13 de Maio de 2000).

Oxalá que este seja um contributo para o estabelecimento no mundo da devoção ao Imaculado Coração de Maria, a fim de que muitas almas se convertam e tenham um amor ardente por Jesus e por Maria.

Dom Antoine Marie osb