Carta

Blason   Abadia de São José de ​​Clairval

F-21150 Flavigny-sur-Ozerain

France


Baixar como pdf
[Cette lettre en français]
[This letter in English]
[Dieser Brief auf deutsch]
[Esta carta en español]
[Questa lettera in italiano]
1 Abril 2021
festa de são Rosendo


Caro amigo da Abadia de São José

Eentre  os anos de 1926 e 1929, houve uma violenta perseguição contra os católicos do México, causando numerosos mártires, alguns dos quais foram elevados mais tarde às honras dos altares. A 20 de Novembro de 2005, o cardeal Saraiva Martins viajou a Guadalajara, cidade do México, para beatificar, em nome do Papa, treze de entre eles. « Esta solenidade de Cristo Rei —dizia na homilia— tem um significado muito especial para o povo mexicano. O Papa Pio XI, ao terminar o Ano Santo de 1925, estabeleceu esta festa para a Igreja Universal. Alguns meses mais tarde, começou, nestas terras, a perseguição contra a fé católica, e ao grito de “Viva Cristo Rei !” morreram muitos filhos da Igreja, reconhecidos como mártires… Pela sua valentia e curta idade, merece uma especial menção o adolescente José Sánchez del Río, o qual, com a idade de 14 anos, soube dar testemunho corajoso de Jesus cristo. Foi um filho exemplar, que se distinguiu pela obediência, compaixão e espírito de serviço. Desde o início das perseguições, sentiu o desejo de ser mártir de Cristo ».

José Sánchez del Río nasceu a 28 de Março de 1913, em Sahuayo, localidade do Estado de Michoacán, no centro-oeste do México. O pai, Macário, descende de uma família espanhola, instalada desde há séculos neste Estado. A mãe, Maria, procede de uma antiga linhagem índia, os porhépechas. José tem dois irmãos mais velhos, Macário e Miguel, bem como uma irmã mais nova chamada Maria Luísa. A família Sánchez del Río, profundamente católica, é endinheirada e goza de boa reputação ; possui um próspero rancho no sul da cidade. Dona Mariquita, como chamam a Maria, destaca-se por grande bondade de coração e uma proverbial generosidade ; dedica-se às tarefas domésticas e à educação dos filhos. Aos quatro anos e meio, José recebe o sacramento da Confirmação. Vive os primeiros anos sem se diferenciar dos outros meninos, dedica-se aos jogos próprios da sua idade. De um carácter agradável, vivo, travesso dá mostras de grande simplicidade, obediência e afectuosidade para com os pais. Com satisfação acompanha a mãe à igreja e frequenta assiduamente a catequese.

Por motivo da revolução de 1910, o México adopta, em 1917, uma nova Constituição, a qual contém vários artigos hostis à Igreja que serão aplicados em alguns Estados a partir de 1920. Para se proteger dos tumultos, a família Sánchez del Río instala-se em Guadalajara, capital do Estado de Jalisco. Ali faz José a primeira Comunhão, com a idade de nove anos. Dá mostras de grande devoção à Virgem de Guadalupe, a padrœira do México, e reza amiúde o terço.

Viva Cristo Rei !

E

m 1924, Plutarco Calles, ateu e franco-mação, é eleito presidente do México. No ano seguinte, com o apoio do governo, um sacerdote funda uma Igreja mexicana cismática. Os vexames contra a Igreja fiel a Roma intensificam-se. Calles, que se inspira no bolchevismo, declara que, a partir de 31 de Julho de 1926, deverão aplicar-se à letra os artigos anticlericais, em todos os Estados do país. Como reacção, os bispos determinam a suspensão do culto, em todas as igrejas. Os sacerdotes escondem-se. O governo proíbe-lhes que celebrem Missa e que administrem os sacramentos, sob pena de prisão ou de morte, e os fiéis não podem rezar publicamente. O exército impõe a observação de todas estas leis pela força. Em alguns meses, numerosos católicos são assassinados ou encarcerados por terem infringido as proibições. Fuzilamentos, enforcamentos, deslocações de população : nada é poupado aos fiéis que se opõem às leis de Calles. Semelhante violência provoca indignação, e depois o levantamento de milhares de pessoas no país. Organizam-se pequenos grupos de combatentes civis, a quem alcunham de Cristeros (nome que conservam como uma honra). Camponeses, artesãos ou notáveis incorporam-se na resistência. E enquanto os oficiais do exército federal conduzem as tropas ao grito de « Viva o nosso pai Satanás ! », os Cristeros unem-se gritando « Viva Cristo Rei !, Viva a Virgem de Guadalupe ! ».

Em Guadalajara, o jovem advogado Anacleto González Flores inflama a juventude cristã com a sua vibrante palavra. Após ter recebido uma sólida formação humana e cristã, consagrou-se à defesa dos mais débeis. Como bom conhecedor da doutrina social da Igreja, intenta proteger, à luz do Evangelho, os direitos fundamentais dos cristãos, e funda a União Popular, com o objectivo de apoiar a luta civil contra as leis anticlericais. Foi cruelmente assassinado a 1 de Abril de 1927, com a idade de trinta e oito anos, mas cairá gritando : « Eu morro, mas Deus não morre ! Viva Cristo Rei ! ». No mesmo dia, derramam também o seu sangue outros membros da União Popular : os irmãos Jorge e Ramón Vargas González, e Luis Padilla Gómez. Os seus nomes figuram na lista dos treze mártires beatificados a 20 de Novembro de 2005. « Entre os direitos que Anacleto González e companheiros mártires mais defenderam — dizia o cardeal Saraiva Martins — encontrava-se o direito à liberdade religiosa ; direito que decorre da própria dignidade humana. Como afirma o Concílio Vaticano II, “que, em matéria religiosa, não se obrigue ninguém a agir contra a sua consciência, nem se lhe impeça que actue de acordo com ela, dentro de justos limites, em privado ou em público, só ou com outros” (Dignitatis humanæ, nº 2). Movidos por um profundo amor a Jesus cristo e ao próximo, estes novos beatos defenderam pacificamente este direito, mesmo com o preço da própria vida… Anacleto González e companheiros mártires procuraram ser, na medida do possível, agentes de perdão e factores de unidade numa época em que o povo se encontrava dividido ».

Ganhar o Céu

Depois do assassinato de Anacleto, os dois irmãos mais velhos de José juntam-se ao levantamento dos Cristeros, sob o comando do general Ramírez, que actua na região de Sahuayo. Nesse mesmo ano de 1927, a família Sánchez del Río regressa a Sahuayo, onde a população apoia os Cristeros. As famílias abastadas ajudam-nos financeiramente e fornecem-lhes armas e víveres ; sacerdotes arriscam a própria vida, ao trazer-lhes o conforto dos sacramentos. Também José manifiesta o desejo de dar a vida por essa boa causa. Por ocasião de uma peregrinação ao túmulo de Anacleto, pede, mediante a sua intercessão, a graça do martírio. Embora não tenha atingido a idade requerida para seguir o caminho dos irmãos, mesmo assim solicita ser admitido nos Cristeros, mas os pais opõem-se firmemente. Com o passar dos meses, a insistência de José em comprometer-se não desfalece. A mãe continua a recusá-lo, já que o considera demasiado jovem, mas ele responde com grande simplicidade : « Mamã, nunca foi tão fácil conquistar o Céu como hoje ». Não há razão suficientemente forte para o desviar do seu projecto. Escreve então aos cabecilhas dos Cristeros a solicitar a sua admissão. As recusas que recebe — só tem catorze anos —mais não fazem que aumentar a sua tenacidade, até que obtém o consentimento e a bênção do pai.

Iluminado pela virtude da fé, José deseja ardentemente alcançar o Céu, único objectivo da vida humana. Na sua Regra, São Bento pede ao monge « que deseje a vida eterna com todo o ardor da alma » (cap.4). O Catecismo da Igreja Católica afirma : « Esta vida perfeita com a Santíssima Trindade, esta comunhão de vida e de amor com ela, com a Virgem Maria, os anjos e todos os bem-aventurados chama-se “o céu”. O céu é o fim último e a realização das mais profundas aspirações do homem, o estado supremo e definitivo de felicidade. Viver no céu é “estar com Cristo” (Jo. 14,3). Os eleitos vivem “n’Ele”, mais ainda, têm aí, ou melhor, encontram aí a verdadeira identidade, o próprio nome (Apo. 2, 17) » (Nos 1024-1025).

Durante o Verão de 1927, apoiado pelas tias Maria e Madalena, e acompanhado por João Flores Espinosa, um adolescente que partilha o mesmo ideal, José dirige-se ao campo de Cotija. Apesar dos obstáculos, os dois rapazes reúnem-se com o general Prudêncio Mendoza, que lhes expõe os perigos da guerra e a duríssima vida nos campos de batalha. José responde que poderá ajudar os soldados em diversas tarefas no campo, encarregar-se dos cavalos ou preparar as refeições. Constatando a firmeza e a sinceridade da sua disponibilidade, o general confia os dois adolescentes ao chefe Cristero Rúben Guízar Morfín.

Porta-bandeira e clarim

A partir desse momento, José põe-se ao serviço dos irmãos de armas, desempenhando o seu papel com profunda caridade e uma admirável disponibilidade. A suas maravilhosas disposições e qualidades humanas valem-lhe a estima de todos ; prestam homenagem ao seu fervor religioso e à sua intrepidez. Todavia, José teme que os partidários do presidente Calles ataquem a sua família se sabem que ele se alistou ; por isso, com o objectivo de ocultar a verdadeira identidade, acrescenta ao seu nome o de Luís : José Luís. Assim será conhecido posteriormente. Na tarde de 12 de Dezembro, festividade da Virgem de Guadalupe, diante dos seus homens, o general Guízar diz-lhe : « Aproxima-te, José Luís. Em sinal de confiança, nomeio-te oficialmente porta-bandeira e clarim da tropa. Como clarim, ajudar-me-às a transmitir as ordens aos combatentes. O que significa que sairás com a tropa nas missões de observação dos federais ». A satisfação de José Luís é total.

No início de 1928, as emboscadas multiplicam-se na região de Cotija. A 6 de Fevereiro, durante um perigoso enfrentamento com as tropas federais, o general Guízar corre um grave risco : o seu cavalo acaba de ser derrubado por uma bala. Num acto heróico, José Luís grita-lhe : « Meu general, tome o meu cavalo e salve-se. O senhor é mais necessário que eu para a causa ! ». Guízar escapa, mas o adolescente com um companheiro, Lázaro, são feitos prisioneiros. Conduzidos a Cotija, apresentam-nos diante do general Guerrero, um dos mais ferozes perseguidores dos Cristeros. Apesar dos golpes, José não deixa escapar nem uma só queixa ; procura na oração a força de suportar as humilhações e os tormentos. O general repreende-o duramente por combater contra o governo, e de seguida convida-o a integrar-se nas suas tropas. Mas o adolescente, sem hesitar, responde-lhe : « Combater nas suas fileiras ? Nem sonhe ! Sou seu inimigo ! Prefiro morrer ! ». Surpreendido por tanto entusiasmo e humilhado por se ver contrariado, Guerrero manda-o encarcerar. No calabouço, José compreende que é hora de se preparar para oferecer a sua vida a Deus. Nessa mesma tarde consegue dos carcereiros algo com que escrever uma carta, e que fará chegar à mãe : « Minha querida mamã : Fui feito prisioneiro em combate, hoje. Estou convicto de que vou morrer, mas pouco importa, mamã. Resigna-te à vontade de Deus, morro muito contente, porque morro fiel aos mandamentos de Nosso Senhor. Não te aflijas por causa da minha morte… antes, diz aos meus outros irmãos que sigam o exemplo do mais novo, e tu, faz a vontade de Deus. Tem coragem e dá-me a bênção com a do meu pai. Saúdo todos pela última vez e recebe por último o coração de filho que tanto te quer e muito gostaria ver-te antes de morrer ».

No dia seguinte, 7 de Fevereiro, José Luís e Lázaro são transferidos de Cotija para Sahuayo, pois Guerrero acaba de descobrir a verdadeira identidade do adolescente, que não é senão filho do rico e respeitado Macário del Rio ; e o padrinho da Primeira Comunhão é o deputado Rafael Picazo, um cacique local, partidário de Calles. Todavia, Picazo é conhecido pela sua despiedada oposição aos Cristeros. Oferece a José várias possibilidades de fugir para o estrangeiro, e depois propõe-lhe ingressar no colégio militar para seguir os estudos, mas em vão.

« Não toquem em Lázaro ! »

Os condenados são então conduzidos à igreja de S. Tiago, transformada em prisão. Ao entrar, José vê, horrorizado, que o templo foi profanado. Para além da conduta incorrecta dos soldados, palha sobre o solo, cavalos atados em qualquer sítio e uma capela a servir de curral. Mas, sobretudo, o sacrário convertido num poleiro para os galos de luta do deputado, e o altar está manchado com os excrementos. Após o cair da noite, quando os guardas estavam a dormir, José consegue desatar-se, mata os galos e limpa o altar. Quando Picazo se inteira disso, fica furioso. Pergunta a José se está consciente da gravidade do seu acto. O rapaz responde-lhe com correcção : « A casa de Deus foi feita para as pessoas aí rezarem, e não para encerrarem animais ! ». O deputado ameaça-o com represálias, mas José responde : « Estou disposto a tudo. Fuzile-me, para que depois esteja diante de Nosso Senhor, e possa pedir-lhe que o confunda ! ». Desapiedado, Picazo ordena : « Ide buscar o jovem Lázaro, e enforcai-o numa árvore na praça principal. E José assistirá ao enforcamento. — Não toquem em Lázaro ! Ele nada fez ! » —exclama José. Da parte da tarde, conduzem os prisioneiros à praça principal da cidade, onde Lázaro é enforcado numa árvore, sob o olhar de José. Este grita aos verdugos : « Venham, agora, matem-me ! ». Mas Lázaro não morreu : graças a um bom samaritano, é tratado e unirá-se-á novamente aos Cristeros.

José, a quem pretenderam atemorizar, é reconduzido à igreja-prisão. Encerrado na capela do baptistério, sobe de vez em quando ao janelo para ver as pessoas passar. Ao reconhecê-lo, várias pessoas puderam trocar algumas palavras com ele ; afirmarão que José se encontrava em paz e passava o tempo a orar, recitando o rosário e cantando louvores a Deus. Por causa da sua idade, mas também pela condição particular do pai, as autoridades políticas e militares consideram que poderiam libertá-lo em troca de uma avultada soma em dinheiro. Primeiro, Picazo parece inclinar-se a favor dessa solução. Após informar Macário da detenção do filho, comunicam-lhe que, se quer voltar a vê-lo, deverá pagar cinco mil pesos em ouro. Aflito, este faz tudo o que lhe é possível : está disposto a vender todos os seus bens para salvar o filho. Quando José toma conhecimento do projecto, e que além disso terá de renegar publicamente a sua fé, recusa tudo : « Por amor de Deus, digam ao meu pai que não dê nem um cêntimo a Picazo, pois já ofereci a minha vida a Deus ». O deputado, que não pode consentir que os seus amigos, os Sánchez del Río, tenham tomado posição contra o governo que ele representa, endurece-se contra o filho deles, pedindo finalmente a sua morte.

A Comunhão em viático

Sexta-feira, 10 de Fevereiro, pelas seis da tarde, José é conduzido a um albergue chamado “Refúgio”, transformado em prisão, onde lhe anunciam que nessa mesma noite será executado. De seguida, José pede papel e tinta para escrever à sua tia Maria : « Querida tia : Estou condenado à morte. Às oito e meia da noite chegará o momento que tanto desejei. Agradeço-te por tudo o que fizeste por mim, bem como a tia Madalena. Não me encontro capaz de escrever à minha mãezinha. Faz-me o favor de lhe escreveres por mim, assim como à minha irmã Maria Luísa. Diz à tia Madalena que consegui que os guardas tenham autorizado vê-la pela última vez para me trazer a Comunhão em viático. Creio que não se negará a vir. Saúda a todos da família e de mim recebe, como sempre e por último, o coração do teu sobrinho que muito te ama e que gostaria de te ver mais uma vez. Cristo vive, Cristo reina, Cristo impera ! Viva Cristo Rei e Santa Maria de Guadalupe ! —José Sánchez del Río, que morreu em defesa da fé. Sobretudo, vinde ! Adeus ! ».

Madalena chega a tempo de lhe dar a Comunhão, mas o martírio de José está longe de terminar. Sabedores de que possui grande número de informações sobre os Cristeros, os carcereiros esfolam-lhe as plantas dos pés para tentar arrancar-lhe nomes, mas o Senhor dá-lhe força e José não denuncia ninguém. Às vinte e três horas levam-no ao cemitério, obrigando-o a caminhar descalço. O rapazinho chora de dor. Os verdugos querem fazê-lo apóstata e açoitam-no com ramos de arbustos espinhosos, mas em vão. José grita com todas as suas forças e sem interrupção : « Viva Cristo Rei e Santa Maria de Guadalupe ! ». Umas testemunhas escondidas assistem com profunda admiração à cena e rezam por ele. Prometem deixá-lo em liberdade se disser : « Viva o governo ! ». Como resposta, José põe-se a cantar : « Ao Céu ! Ao Céu ! Quero ir para o Céu ! ». Para o calar, um dos soldados dá-lhe com a coronha da espingarda, o que provocou a fractura da mandíbula. Todavia, no bordo da cova José continua a gritar sem descanso : « Viva Cristo Rei ! ». Uns soldados apunhalam-no e, a cada golpe, com a voz cada vez mais débil, o jovem continua a confessar a sua fé. O oficial pergunta-lhe em tom áspero : « Queres enviar uma mensagem ao teu pai ? —Voltaremos a ver-nos no Céu ! —responde José sem alento—. Viva Cristo Rei ! Viva Santa Maria de Guadalupe ! —Ah, que fanático ! » —exclama o militar enquanto saca a pistola e dispara-lhe um tiro na nuca. José, que ainda não tinha completado quinze anos, recebe a palma do martírio nessa sexta-feira de 10 de Fevereiro de 1928, às onze e meia da noite. Uns cristãos recolhem o corpo, lavam-no, envolvem-no num lençol e, após lhe prestarem uma última homenagem, sepultam-no ali mesmo.

« O jovem beato José Sánchez del Río —dizia o cardeal Saraiva Martins no dia da beatificação—deve animar-nos a todos, principalmente a vós, jovens, para serdes capazes de dar testemunho de Cristo no dia-a-dia. Queridos jovens, provavelmente Cristo não vos pede o derramamento de sangue, mas sim pede-vos, desde já, para dardes testemunho da verdade nas vossas vidas, no meio de um ambiente de indiferença aos valores transcendentais e de um materialismo e hedonismo que busca sufocar as consciências ».

Transformar-se a si mesmo

Os mártires do México deram a sua vida para que Cristo reinasse no país. O Catecismo da Igreja Católica recorda a existência da « realeza de Cristo sobre toda a criação e, em particular, sobre as sociedades humanas » (nº 2105). Com efeito, a razão humana pode descobrir que tanto as sociedades como os indivíduos são tributários de Deus por todos os bens de que beneficiam. Isto implica por sua vez um dever público de louvor, de súplica, de reconhecimento, inclusive de reparação. De facto, é na qualidade de autoridades públicas que dependem de Deus para os seus proveitos. O exercício desta soberania começa, evidentemente, pela acção sobre si mesmo, que é além disso uma primeira condição para uma acção eficaz ao serviço de uma civilização cristã, inspirada no amor. São João Paulo II dizia : « Não caiais no erro de pensar que se pode mudar a sociedade mudando somente as estruturas externas ou procurando em primeiro lugar a satisfação das necessidades materiais. É necessário começar por se mudar a si mesmo, convertendo com sinceridade os nossos corações a Deus vivo, renovando-se moralmente, destruindo as raízes do pecado e do egoísmo nos nossos corações. Pessoas transformadas colaboram eficazmente na mudança da sociedade » (Homilia de 10 de Outubro de 1984, em Saragoça, Espanha).

Em 1996, os restos mortais do jovem mártir foram transladados para a capela do baptistério onde tinha estado detido. O beato José Sánchez del Río foi canonizado em Roma, a 16 de Outubro de 2016. Que os jovens mártires mexicanos, que se distinguiram pela intensa vida eucarística e pela devoção filial à Santíssima Virgem, sob o nome de Nossa Senhora de Guadalupe, nos concedam dar testemunho da nossa fé em todas as circunstâncias ! Que Cristo Rei, o Bom Pastor, reine nas Nações, em todos os povos e em todos os corações. Viva Cristo Rei ! Viva a Virgem de Guadalupe !

Dom Antoine Marie osb